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domingo, 2 de maio de 2021

Acerca da situação canônica de D. Tomás Abels Von Klapperschlange e do diácono Paulo Forgione

 
DOM GIUSEPPE MARIA CARDEAL BETORI,
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA,
CARDEAL PRESBÍTERO DI SAN GERARDI MAIELLA,
PREFEITO DO SUPREMO TRIBUNAL
PARA A ASSINATURA APOSTÓLICA

A todos que leem estDECLARAÇÃO E DECRETO, saúde e graça por parte de nosso Senhor.

   "Eu sou o bom pastor, diz o Senhor; eu conheço minhas ovelhas e elas me conhecem a mim (S. João 10,14)." Caríssimos, encontramo-nos neste período pascal, tempo de regozijo pelo triunfo do Senhor sobre a morte e sobre a iniquidade. Ao visitarmos a liturgia dominical, em especial a antífona do Evangelho, podemos sintetizar a mensagem pascal, o triunfo da reconciliação do Cristo e o seu cuidado para com suas ovelhas. O Cristo conhece a cada um de seus pequeninos e não é a vontade do Pai que estes se percam. Revisitemos a passagem das Escrituras que nos dizem: "Que vos parece? Um homem possui cem ovelhas: uma delas se desgarra. Não deixa ele as noventa e nove na montanha, para ir buscar aquela que se desgarrou? E se a encontra, sente mais júbilo do que pelas noventa e nove que não se desgarraram. Assim é a vontade de vosso Pai Celeste, que não se perca um só destes pequeninos." (S. Mateus 18, 12-14). Portanto, neste espírito de benevolência e proclamando a reconciliação do Salvador, viemos esclarecer a situação canônica do epíscopo Tomás Abels Von Klapperschlange e do diácono Paulo Forgione.
    Nos foram reportadas algumas denúncias, ainda à cabo da Rota Romana, acerca da situação canônica dos referidos senhores. Por razões fora de nosso controle e juízo fomos imbuídos de tratar da questão que nos chegou a este orbe eclesiástico virtual. Não nos cabe, aqui, trazer aferição de valor pessoal acerca das ações perpetradas pelos senhores supracitados, mas somente propor medidas que venham a trazer ao âmbito eclesial a justiça para seus pares segundo seus atos e deveres. Vale lembrar o conceito do Doutor Angélico acerca da justiça, onde diz que "a justiça ratifica as ações humanas, tornando-as boas. É, pois, por causa da justiça que os homens são denominados bons. A justiça ordena o homem nos seus atos para com o próximo através de duas maneiras: considerando o homem individualmente (particular) e em comunidade (geral). Se a justiça, pois, ordena o homem ao bem comum, deve ser considerada uma virtude geral, e todos os atos das outras virtudes encontram-se sob sua ordem" (Suma Teológica, VI, LX, Tomás de Aquino). 
    Não somente guardamos aquilo que se é devido ressaltar, mas também admoestamos a todos os que leem estas letras acerca de sua própria condição e, assim, da aceitação do outro. A conduta que leva ao verdadeiro bem do homem, sua eudaimonia, é seguir a lei do Amor. O Amor é a Lei Suprema do Pai, especialmente quando devemos isso a nossos irmãos. A escritura nos diz assim, "caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." (I São João 4, 7-8). Lembramos também às línguas maldizentes o velho ditado de Eurípedes, onde diz: "Médico dos outros, quando tu mesmo estás coberto de chagas" (Eurípides, Nauck, Trag. Graec. Frag. n. 1086, p. 807). Lembremo-nos, portanto, do Amor do Pai que nos acolhe e trata, bem como nos atentemos às nossas próprias chagas, observando a trave em nossos olhos antes de acusarmos ou tirarmos proveito de nossos irmãos.
   Assim, retratamos aos nossos diletos que, embora venham a pender graves acusações contra vossas pessoas, após aferição por parte dos tribunais desta Sé Apostólica viemos por trazer elucidação às condutas dispostas, mas também resguardá-las em seus devidos momentos e porquês. Assim, realmente conhecemos a natureza de seus atos e percebemos, em meio clerical, a consequência destes. Nos embasamos no fato de que tudo retratado em nossos depoimentos e aferições fora realizado consensualmente, escusando, em parte, as acusações contra sua excelência, o bispo Tomás Abels. Quanto ao diácono Paulo Forgione é devido ressaltar que a imprudência e inconstância levada à frente por si o levou a caminhos tortuosos que culminaram nesta missiva. Como ressaltado em decreto de suspensão publicado pela Rota Romana acerca de ti, “quando a alma, abandonando a procura intelectual, deleita-se preferivelmente no conhecimento sensível, e, por assim dizer, adere ao sensualismo, e às habilidades com fins apenas materiais, não faz outra coisa que inchar-se e prejudicar-se” (Sobre a Potencialidade da Alma, XIX, 33). Recordamos aos caros filhos como expressado por Pio VII, "os jovens (...) são aceitos livre e de bom grado entre o clero do Habbo Hotel, de maneira que viva (...) de maneira cristã autêntica, reservada e madura, evitando escandalizar qualquer que seja e guardando intimamente suas relações para a realidade." (Pius VII, H.E). Assim, caríssimos, por mercê de Deus e clemência por parte desta Sé, DECRETAMOS a anulação de toda e qualquer acusação perante os referidos.
   Lhes admoestamos, também, para que perseverem na fidelidade de seus deveres, deixando à parte a vida pessoal e mantendo o bom relacionamento com os clérigos. Recordamo-los que "a fidelidade à verdade conhecida, o respeito à palavra empenhada, (...) a perenidade do sacerdócio e de qualquer caminho que entranhe dedicação de corpo e alma a Deus e à missão por Ele confiada - são todos eles compromissos que não se compadecem com atitudes de permanente imaturidade, e que, pelo contrário, quando firmemente sustentados, elevam o homem à sua plena dignidade de filho de Deus e tornam sinônimos absolutos fidelidade felicidade." (Fidelidade, Javier Abad Gómez). Não se esqueçam que enquanto autênticos cristãos, não devemos ser "causa de escândalo" (II Cor. 6,3). Portanto, lhes admoestamos que sigam recolhimento e mantenham o silêncio obsequioso sobre o retratado nestas letras apostólicas. O diácono Paulo Forgione está à disposição da Arquidiocese de Salvador e o epíscopo pende de direcionamento da Sé Apostólica, salvo disposições ao contrário.
   Sem mais, rogamos a Deus que possa voltar-se com piedade e graça do Paráclito. Voltamos nossa súplica a Maria, Virgem Santíssima, que roga por nós, a fim de que possa guiar vossos pensamentos e ações neste tempo. Assim, conseguiremos manter nossa comunhão, respeito e obediência devida.

"Saibas como deves portar-te na Casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo e inabalável sustentáculo da verdade..."
Inerrância da Igreja: Ela é a coluna e o inabalável sustentáculo da verdade...
(I Tim 3, 15)

PUBLIQUE-SE, CUMPRA-SE, ARQUIVE-SE.
Dado em passado em Roma, aos dois dias do mês de maio do Ano do Senhor de dois mil e vinte.

+Giuseppe Maria Betori
 Prefeito do Supremo Tribunal para a Assinatura Apostólica