DOM GIUSEPPE MARIA CARDEAL BETORI,
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA,
CARDEAL PRESBÍTERO DI SAN GERARDI MAIELLA,
PREFEITO DO SUPREMO TRIBUNAL
PARA A ASSINATURA APOSTÓLICA
A todos que leem esta DECLARAÇÃO E DECRETO, saúde e graça por parte de nosso Senhor.
"Eu sou o bom pastor, diz o Senhor; eu conheço minhas ovelhas e elas me conhecem a mim (S. João 10,14)." Caríssimos, encontramo-nos neste período pascal, tempo de regozijo pelo triunfo do Senhor sobre a morte e sobre a iniquidade. Ao visitarmos a liturgia dominical, em especial a antífona do Evangelho, podemos sintetizar a mensagem pascal, o triunfo da reconciliação do Cristo e o seu cuidado para com suas ovelhas. O Cristo conhece a cada um de seus pequeninos e não é a vontade do Pai que estes se percam. Revisitemos a passagem das Escrituras que nos dizem: "Que vos parece? Um homem possui cem ovelhas: uma delas se desgarra. Não deixa ele as noventa e nove na montanha, para ir buscar aquela que se desgarrou? E se a encontra, sente mais júbilo do que pelas noventa e nove que não se desgarraram. Assim é a vontade de vosso Pai Celeste, que não se perca um só destes pequeninos." (S. Mateus 18, 12-14). Portanto, neste espírito de benevolência e proclamando a reconciliação do Salvador, viemos esclarecer a situação canônica do epíscopo Tomás Abels Von Klapperschlange e do diácono Paulo Forgione.
Nos foram reportadas algumas denúncias, ainda à cabo da Rota Romana, acerca da situação canônica dos referidos senhores. Por razões fora de nosso controle e juízo fomos imbuídos de tratar da questão que nos chegou a este orbe eclesiástico virtual. Não nos cabe, aqui, trazer aferição de valor pessoal acerca das ações perpetradas pelos senhores supracitados, mas somente propor medidas que venham a trazer ao âmbito eclesial a justiça para seus pares segundo seus atos e deveres. Vale lembrar o conceito do Doutor Angélico acerca da justiça, onde diz que "a justiça ratifica as ações humanas, tornando-as boas. É, pois, por causa da justiça que os homens são denominados bons. A justiça ordena o homem nos seus atos para com o próximo através de duas maneiras: considerando o homem individualmente (particular) e em comunidade (geral). Se a justiça, pois, ordena o homem ao bem comum, deve ser considerada uma virtude geral, e todos os atos das outras virtudes encontram-se sob sua ordem" (Suma Teológica, VI, LX, Tomás de Aquino).
Não somente guardamos aquilo que se é devido ressaltar, mas também admoestamos a todos os que leem estas letras acerca de sua própria condição e, assim, da aceitação do outro. A conduta que leva ao verdadeiro bem do homem, sua eudaimonia, é seguir a lei do Amor. O Amor é a Lei Suprema do Pai, especialmente quando devemos isso a nossos irmãos. A escritura nos diz assim, "caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." (I São João 4, 7-8). Lembramos também às línguas maldizentes o velho ditado de Eurípedes, onde diz: "Médico dos outros, quando tu mesmo estás coberto de chagas" (Eurípides, Nauck, Trag. Graec. Frag. n. 1086, p. 807). Lembremo-nos, portanto, do Amor do Pai que nos acolhe e trata, bem como nos atentemos às nossas próprias chagas, observando a trave em nossos olhos antes de acusarmos ou tirarmos proveito de nossos irmãos.
Assim, retratamos aos nossos diletos que, embora venham a pender graves acusações contra vossas pessoas, após aferição por parte dos tribunais desta Sé Apostólica viemos por trazer elucidação às condutas dispostas, mas também resguardá-las em seus devidos momentos e porquês. Assim, realmente conhecemos a natureza de seus atos e percebemos, em meio clerical, a consequência destes. Nos embasamos no fato de que tudo retratado em nossos depoimentos e aferições fora realizado consensualmente, escusando, em parte, as acusações contra sua excelência, o bispo Tomás Abels. Quanto ao diácono Paulo Forgione é devido ressaltar que a imprudência e inconstância levada à frente por si o levou a caminhos tortuosos que culminaram nesta missiva. Como ressaltado em decreto de suspensão publicado pela Rota Romana acerca de ti, “quando a alma, abandonando a procura intelectual, deleita-se preferivelmente no conhecimento sensível, e, por assim dizer, adere ao sensualismo, e às habilidades com fins apenas materiais, não faz outra coisa que inchar-se e prejudicar-se” (Sobre a Potencialidade da Alma, XIX, 33). Recordamos aos caros filhos como expressado por Pio VII, "os jovens (...) são aceitos livre e de bom grado entre o clero do Habbo Hotel, de maneira que viva (...) de maneira cristã autêntica, reservada e madura, evitando escandalizar qualquer que seja e guardando intimamente suas relações para a realidade." (Pius VII, H.E). Assim, caríssimos, por mercê de Deus e clemência por parte desta Sé, DECRETAMOS a anulação de toda e qualquer acusação perante os referidos.
Lhes admoestamos, também, para que perseverem na fidelidade de seus deveres, deixando à parte a vida pessoal e mantendo o bom relacionamento com os clérigos. Recordamo-los que "a fidelidade à verdade conhecida, o respeito à palavra empenhada, (...) a perenidade do sacerdócio e de qualquer caminho que entranhe dedicação de corpo e alma a Deus e à missão por Ele confiada - são todos eles compromissos que não se compadecem com atitudes de permanente imaturidade, e que, pelo contrário, quando firmemente sustentados, elevam o homem à sua plena dignidade de filho de Deus e tornam sinônimos absolutos fidelidade e felicidade." (Fidelidade, Javier Abad Gómez). Não se esqueçam que enquanto autênticos cristãos, não devemos ser "causa de escândalo" (II Cor. 6,3). Portanto, lhes admoestamos que sigam recolhimento e mantenham o silêncio obsequioso sobre o retratado nestas letras apostólicas. O diácono Paulo Forgione está à disposição da Arquidiocese de Salvador e o epíscopo pende de direcionamento da Sé Apostólica, salvo disposições ao contrário.
Sem mais, rogamos a Deus que possa voltar-se com piedade e graça do Paráclito. Voltamos nossa súplica a Maria, Virgem Santíssima, que roga por nós, a fim de que possa guiar vossos pensamentos e ações neste tempo. Assim, conseguiremos manter nossa comunhão, respeito e obediência devida.
"Saibas como deves portar-te na Casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo e inabalável sustentáculo da verdade..."
Inerrância da Igreja: Ela é a coluna e o inabalável sustentáculo da verdade...
(I Tim 3, 15)
